A Ferrari acaba de apresentar o Luce, o seu primeiro modelo totalmente elétrico, marcando uma rutura histórica para a marca italiana. Com 1035 cavalos, design assinado por Jony Ive e um preço a rondar os 550 mil euros, este é um dos lançamentos mais arriscados de sempre da marca de Maranello.
Um Ferrari diferente de tudo o que já vimos
O Ferrari Luce quebra muitas das tradições estéticas da marca. A italiana entregou o design à LoveFrom, o estúdio criativo liderado por Jony Ive, o histórico designer da Apple, e por Marc Newson.
O resultado é um carro com proporções inéditas para um Ferrari. O modelo tem 197,9 polegadas de comprimento, ou seja, cerca de cinco centímetros mais longo que o Purosangue. A altura fica nos 60,8 polegadas, um pouco mais baixa que o SUV familiar da marca. A carroçaria é totalmente em alumínio e tem habitáculo deslocado para a frente.
As portas abrem-se ao centro, sem pilar B visível, e a traseira tem uma porta tipo liftgate. As luzes dianteiras e traseiras surgem de painéis escuros, e os limpa-para-brisas ficam encostados na vertical junto aos pilares dianteiros quando não estão em uso.
A aerodinâmica foi uma prioridade absoluta. A Ferrari afirma que o Luce tem o coeficiente de arrasto mais baixo de qualquer Ferrari de estrada já produzido, graças a soluções como spoilers em túnel à frente e atrás e grelhas ativas.
Interior com cinco lugares e ecrãs OLED
O habitáculo é provavelmente a parte menos polémica do carro. Pela primeira vez, um Ferrari tem capacidade para cinco ocupantes, algo possível pela ausência de túnel central e transmissão traseira. A bagageira é a maior alguma vez vista num Ferrari.
Os ecrãs são todos OLED. O quadro de instrumentos mostra três mostradores circulares com aros metálicos, que são afinal ecrãs digitais dentro de outro ecrã digital. O mostrador central indica velocidade e nível da bateria, o da esquerda mostra potência disponível e regeneração, e o da direita pode ser configurado pelo condutor.
O ecrã central é mais modesto e combina toque com botões físicos reais. Pode ainda girar na direção do condutor ou do passageiro. Há outro ecrã na traseira da consola central, dedicado aos passageiros de trás.
O volante deixa cair os touchpads sensíveis que tantas críticas trouxeram ao Purosangue. Em vez disso, regressam botões físicos a sério, com dois mostradores manettino clássicos.
Quatro motores e desempenho de topo
A Ferrari desenvolveu motores próprios para o Luce. São quatro motores síncronos de íman permanente, com os dois dianteiros a produzir 282 cavalos e os dois traseiros a debitar 831 cavalos. A potência total atinge os 1035 cavalos, mais do que qualquer outro Ferrari de estrada.
O carro pesa 4982 libras (cerca de 2260 quilos), mas acelera dos 0 aos 100 km/h em 2,5 segundos. A velocidade máxima é de 193 mph (cerca de 310 km/h). Existe ainda um modo launch, ativado por uma alavanca no teto, que liberta 54 cavalos extra.
As patilhas atrás do volante ganham uma função inédita. A esquerda controla cinco níveis de regeneração, enquanto a direita aumenta o binário disponível em cinco fases. A ideia é simular o envolvimento das mudanças manuais que os Ferrari sempre tiveram.
O som de um Ferrari elétrico
Um dos grandes desafios foi precisamente o som. A Ferrari poderia ter usado uma gravação dos seus V12, mas optou por outro caminho. Patenteou um sistema que capta o som mecânico real do eixo traseiro e processa-o em tempo real, projetando-o para dentro e fora do carro.
A intensidade muda conforme o modo de condução. Perfo é o mais sonoro, Tour fica num nível intermédio e Range é o mais silencioso.
Bateria, autonomia e quando chega
A bateria tem 122 kWh de capacidade bruta e faz parte da estrutura do chassis. Tal como os motores, foi totalmente desenhada e produzida pela Ferrari. A arquitetura de 800 volts permite carregamentos até 350 kW.
A autonomia anunciada é de 330 milhas segundo o padrão europeu WLTP, o que deverá traduzir-se em cerca de 280 milhas pelo método norte-americano EPA.
O Luce começa a chegar à Europa ainda este ano, por aproximadamente 550 mil euros. Nos Estados Unidos só estará disponível no segundo trimestre de 2027, com preço por anunciar.
O lançamento surge num momento curioso. A Lamborghini cancelou recentemente o seu primeiro elétrico devido à falta de procura, segundo o CEO Stephan Winkelmann. A Aston Martin adiou o seu EV de 2027 para 2030. A Ferrari decidiu seguir um caminho diferente, com o presidente John Elkann a afirmar que a marca está a expandir o que pode ser, sem perder a sua identidade. Resta saber se os fãs vão concordar.
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Redator de tecnologia no Minuto Digital. Especializado em smartphones, inteligência artificial e inovação digital. Explico as últimas novidades tech de forma simples, clara e direta.





























