Ferrari Luce: o primeiro Ferrari 100% elétrico chega em 2027 com 1035 cavalos

A Ferrari acaba de apresentar o Luce, o seu primeiro modelo totalmente elétrico, marcando uma rutura histórica para a marca italiana. Com 1035 cavalos, design assinado por Jony Ive e um preço a rondar os 550 mil euros, este é um dos lançamentos mais arriscados de sempre da marca de Maranello.

O que precisas de saber
O Ferrari Luce é o primeiro modelo 100% elétrico da história da marca italiana, com quatro motores e 1035 cavalos de potência total.
O design exterior e interior foi desenvolvido pela LoveFrom, o estúdio de Jony Ive e Marc Newson, e rompe com a linguagem visual habitual da Ferrari.
A bateria de 122 kWh promete cerca de 280 milhas (450km) de autonomia segundo o padrão norte-americano, com carregamento até 350 kW.
O Luce começa a ser vendido na Europa ainda este ano por cerca de 550 mil euros e chega aos Estados Unidos no segundo trimestre de 2027.

Um Ferrari diferente de tudo o que já vimos

O Ferrari Luce quebra muitas das tradições estéticas da marca. A italiana entregou o design à LoveFrom, o estúdio criativo liderado por Jony Ive, o histórico designer da Apple, e por Marc Newson.

O resultado é um carro com proporções inéditas para um Ferrari. O modelo tem 197,9 polegadas de comprimento, ou seja, cerca de cinco centímetros mais longo que o Purosangue. A altura fica nos 60,8 polegadas, um pouco mais baixa que o SUV familiar da marca. A carroçaria é totalmente em alumínio e tem habitáculo deslocado para a frente.

As portas abrem-se ao centro, sem pilar B visível, e a traseira tem uma porta tipo liftgate. As luzes dianteiras e traseiras surgem de painéis escuros, e os limpa-para-brisas ficam encostados na vertical junto aos pilares dianteiros quando não estão em uso.

A aerodinâmica foi uma prioridade absoluta. A Ferrari afirma que o Luce tem o coeficiente de arrasto mais baixo de qualquer Ferrari de estrada já produzido, graças a soluções como spoilers em túnel à frente e atrás e grelhas ativas.

Interior com cinco lugares e ecrãs OLED

O habitáculo é provavelmente a parte menos polémica do carro. Pela primeira vez, um Ferrari tem capacidade para cinco ocupantes, algo possível pela ausência de túnel central e transmissão traseira. A bagageira é a maior alguma vez vista num Ferrari.

Os ecrãs são todos OLED. O quadro de instrumentos mostra três mostradores circulares com aros metálicos, que são afinal ecrãs digitais dentro de outro ecrã digital. O mostrador central indica velocidade e nível da bateria, o da esquerda mostra potência disponível e regeneração, e o da direita pode ser configurado pelo condutor.

O ecrã central é mais modesto e combina toque com botões físicos reais. Pode ainda girar na direção do condutor ou do passageiro. Há outro ecrã na traseira da consola central, dedicado aos passageiros de trás.

O volante deixa cair os touchpads sensíveis que tantas críticas trouxeram ao Purosangue. Em vez disso, regressam botões físicos a sério, com dois mostradores manettino clássicos.

Quatro motores e desempenho de topo

A Ferrari desenvolveu motores próprios para o Luce. São quatro motores síncronos de íman permanente, com os dois dianteiros a produzir 282 cavalos e os dois traseiros a debitar 831 cavalos. A potência total atinge os 1035 cavalos, mais do que qualquer outro Ferrari de estrada.

O carro pesa 4982 libras (cerca de 2260 quilos), mas acelera dos 0 aos 100 km/h em 2,5 segundos. A velocidade máxima é de 193 mph (cerca de 310 km/h). Existe ainda um modo launch, ativado por uma alavanca no teto, que liberta 54 cavalos extra.

As patilhas atrás do volante ganham uma função inédita. A esquerda controla cinco níveis de regeneração, enquanto a direita aumenta o binário disponível em cinco fases. A ideia é simular o envolvimento das mudanças manuais que os Ferrari sempre tiveram.

O som de um Ferrari elétrico

Um dos grandes desafios foi precisamente o som. A Ferrari poderia ter usado uma gravação dos seus V12, mas optou por outro caminho. Patenteou um sistema que capta o som mecânico real do eixo traseiro e processa-o em tempo real, projetando-o para dentro e fora do carro.

A intensidade muda conforme o modo de condução. Perfo é o mais sonoro, Tour fica num nível intermédio e Range é o mais silencioso.

Bateria, autonomia e quando chega

A bateria tem 122 kWh de capacidade bruta e faz parte da estrutura do chassis. Tal como os motores, foi totalmente desenhada e produzida pela Ferrari. A arquitetura de 800 volts permite carregamentos até 350 kW.

A autonomia anunciada é de 330 milhas segundo o padrão europeu WLTP, o que deverá traduzir-se em cerca de 280 milhas pelo método norte-americano EPA.

O Luce começa a chegar à Europa ainda este ano, por aproximadamente 550 mil euros. Nos Estados Unidos só estará disponível no segundo trimestre de 2027, com preço por anunciar.

O lançamento surge num momento curioso. A Lamborghini cancelou recentemente o seu primeiro elétrico devido à falta de procura, segundo o CEO Stephan Winkelmann. A Aston Martin adiou o seu EV de 2027 para 2030. A Ferrari decidiu seguir um caminho diferente, com o presidente John Elkann a afirmar que a marca está a expandir o que pode ser, sem perder a sua identidade. Resta saber se os fãs vão concordar.

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